20/03/12

às vezes o que parece é

um dos problemas que podemos encontrar ao tomar um café na ribeira, no doce despertar da primavera: descobrir que a senhora que nos serve o dito café e a água das pedras (abrindo a água das pedras à nossa frente) é a mesma que está, simultaneamente, a fazer limpezas e a estender tapetes no chão. não será por demais referir que o avental da senhora, a qual por mero acaso aparentava possuir uma pequena penugem sobre o lado superior, tinha uma espécie de fungo encardido pela zona da cintura. todo este espectáculo por dois euros e vinte cêntimos e nem acabei a água quando me apercebi de tudo isto que vos conto.
obrigado turismo dedicado.

15/03/12

anti social


Decreto-Lei nº 65/2012

Através do presente decreto-lei o Governo institui um regime jurídico de proteção na eventualidade desemprego, de natureza contributiva, que tem como âmbito pessoal os trabalhadores independentes que prestam serviços a uma entidade contratante da qual dependam economicamente.

Ficam, assim, abrangidos pelo presente decreto-lei os trabalhadores independentes que, no mesmo ano civil, obtenham da mesma empresa, seja ela uma pessoa coletiva ou uma pessoa singular com atividade empresarial, independentemente da sua natureza e das finalidades que prossigam, 80 % ou mais do valor total anual dos rendimentos obtidos na atividade independente.

Por último, considera-se que a implementação do regime de proteção social no desemprego dos trabalhadores independentes, economicamente dependentes, seja operacionalizada em estreita articulação com o reforço das políticas ativas de emprego, com vista à rápida inserção no mercado de trabalho daqueles trabalhadores.


em primeiro lugar, deixa-me extremamente confuso chamar independente e dependente ao mesmo trabalhador. em segundo lugar, quando um trabalhador obtém mais de 80% dos seus rendimentos da mesma empresa, imaginemos 100%, não será isso um indício de que existem falsos recibos verdes? isto quer dizer que, muito provavelmente, serão dados apoios a trabalhadores que executaram falsas prestações de serviços.
o problema não deveria ser tratado pelo caminho inverso? se houvesse maior fiscalização, de modo a erradicar os falsos recibos verdes, trocando-os por contratos de trabalho, não seria necessário redigir este decreto-lei. a meu ver, este texto só vem apoiar em força a continuidade destes falsos recibos, sendo mais difícil aos trabalhadores renunciá-los e promovendo o aumento do trabalho precário no nosso país.
mas pronto, está assinado pelo senhor primeiro ministro e pelo senhor presidente da república.
viva portugal!


14/03/12

pedro

"pedro, anda cá", gritou ela enquanto corria timidamente pela calçada estreita de uma rua do porto. não foi bem um grito, foi mais parecido com um gemido. mas ele não parou, limitou-se a olhar para trás e continuou a afastar-se a saltos apressados. ela foi atrás dele e, quando se achou suficientemente próxima, atirou-lhe uma garrafa de vidro que levava na mão. não lhe acertou e ambos desapareceram na esquina seguinte, por uma rua a descer, e ficámos sem saber o que lhes aconteceu, ou a razão da dor da rapariga ou porque raio ele fugia dela.

06/03/12

desemprego jovem

nós queremos soluções de fundo, eles querem reforçar os estágios profissionais.

na visão do empresário português azeiteiro, o estágio profissional serve, somente, para ter mão de obra qualificada e barata por um certo período. finado esse período, o azeiteiro despacha o desgraçado do estagiário e promove outro emprego jovem a baixo custo. concluído que está cada ciclo, o jovem já não volta a "gozar" do estágio profissional e volta ao ponto de partida. muitas vezes acaba a passar falsos! recibos verdes para o azeiteiro não ter de pagar aquelas maçadas todas e não ter de pensar quando pode dispensar os serviços do jovem que se mata a trabalhar para o empresário poder ter quatro carros, dois apartamentos e férias em new york. note-se que o azeiteiro não quer saber das consequências de mudar constantemente de funcionários, nem se importa tão pouco com a moral dos seus escravos. ele quer dinheiro muito rapidamente, custe o que custar, e o resto é conversa.

talvez fosse melhor se os senhores ministros pensassem nas razões que levam muitos empresários a fugir aos contratos de trabalho, em vez de empurrarem um problema do presente para o futuro. deveriam de encontrar uma forma de erradicar os falsos recibos verdes. deveriam esquecer os estágios profissionais nos moldes em que estão definidos pois só servem para atirar areia para os olhos.

contudo, nunca devemos esquecer que a precariedade também é responsabilidade dos jovens que, ao aceitarem certas e determinadas condições de trabalho, abrem o caminho para o regabofe. se os falsos recibos verdes existem hoje é porque há quem os aceite.

concluindo, se a única solução para o desemprego jovem for aumentar os apoios aos estágios profissionais, para o ano voltamos ao mesmo. a não ser que emigremos todos, mas depois não há quem pague as reformas.

mingus

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